Castelão Frances ou Periquita

Descrição

Este mês vamos dar uma chegadinha em Portugal, mais precisamente na Península de Setúbal, região ao sul de Lisboa, marcada pelo turismo e grandes explorações vinícolas.

As primeiras vinhas desta região foram trazidas da península Ibérica, por volta de 2000 a.C. Conhecida mundialmente pelo famoso Moscatel de Setúbal, nunca se limitou pelo seu mais famoso vinho, mesmo produzindo o que os portugueses chamam de vinhos tranquilos, ou seja, vinhos menos fortificados e menos espumantes, fáceis de beber. 

A região é o berço dos melhores vinhos feitos com a uva Castelão, uma das mais emblemáticas castas tintas portuguesas. 

Por volta de 1846, um cidadão de nome Jose Maria da Fonseca comprou uma propriedade nesta região, dando-lhe o nome de Cova da Periquita. Plantou então várias uvas da casta Castelão, que trouxe da província de Ribatejo e iniciou sua produção de vinhos. 

Seus vinhos fizeram tanto sucesso que os outros produtores da região passaram a lhe pedir mudas e assim os vinhos da região passaram a ser conhecidos como Vinho da Periquita, pois lá eram produzidos. Além de ser um vinho de sucesso absoluto no sabor, foi o primeiro vinho a ser engarrafado em Portugal.

O seu vinho era tão bom, que já em 1888 ganhou a medalha de ouro em uma exposição em Berlim e a própria uva Castelão, passou a ser chamada de Periquita.

Hoje é o segundo vinho mais famoso de Portugal, só perdendo para o vinho do Porto e é o vinho europeu mais vendido no Brasil. 

Originalmente ele era elaborado somente com a uva tinta Castelão Francês, atualmente renomeada para Castelão Franco, mas a partir do ano 2000 os enólogos responsáveis decidiram adicionar outras uvas, transformando o vinho, que era varietal, em um vinho de corte, ou seja, elaborado a partir da mistura de diversas uvas. Assim, o vinho Periquita passou a ser feito também com a Trincadeira e Aragonês, tornando-o mais leve, mais jovem e mais fácil de beber.

A casta Castelão revela o seu melhor em climas quentes e terrenos arenosos, mas pode adaptar-se a uma diversidade de condições. Os vinhos desta casta são concentrados, aromáticos, com taninos bem marcados que lhes dão boas condições para envelhecer, sendo mais agressivos na juventude, mas se tornando mais macios com a idade.

São vinhos simples e honestos, saborosos, de corpo médio e cor rubi vivo. O tradicional é um vinho para ser bebido jovem, tendo longevidade de até 5 anos. 

Originalmente a vinícola produzia somente o vinho Periquita tinto, que é o tradicional ou original, mas de uns anos para cá, buscando a renovação da marca, os enólogos produziram novas versões, como o Periquita branco, o rosé e o tinto reserva.

O vinho periquita branco foi produzido originalmente apenas para a Suécia, mas por ter feito sucesso no Brasil, a vinícola passou a elaborar uma versão para o Brasil também, que é mais doce e menos ácido do que o produzido para a Suécia.

A Península de Setúbal tem duas Denominações de Origem (D.O.): Setúbal para o moscatel – uma das primeiras do mundo, regulamentada em 1908 e Palmela, um dos 13 Concelhos (espécies de “estados”) que compõem a península. 

Os vinhos Setúbal devem conter no mínimo dois terços das uvas moscatel seja branco ou tinto, na primeira DO.  No caso da segunda DO, Palmela, a legislação obriga a utilização de uma percentagem elevada de Castelão. A  DO de Palmela deve de ser constituída por 66,7% desta casta. 

Quer conhecer a vinícola e como o vinho é produzido? Veja o vídeo

www.youtube.com/watch?v=TPoJr2cWL20

 

 

 

 

 



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