Barbera

Descrição

A vinhas da Itália são provavelmente o maior recurso natural dos diferentes tipos de espécies de Vinis vinífera cultivadas no País. Embora as 12 castas mais comuns sejam responsáveis pela produção de mais da metade dos vinhos produzidos, dezenas de outras castas, menos relevantes, estão à espera de serem descobertas e transformadas em vinhos de qualidade. 

 

Desde a década de 1990 os produtores italianos começaram a trabalhar mais nestas castas nativas pouco exploradas. Os vinhos Barbera, da região de Piemonte, gozam de uma das mais extraordinárias carreiras da vinicultura europeia. Originalmente ácido, desenvolveu-se, até obter reputação como um vinho denso, condimentado, moderno e de alta qualidade. 

Piemonte é conhecida principalmente por ser a sede dos vinhos tintos fora de série: Barollo e Barbaresco.  Nenhum destes foi criado até a segunda metade do século XIX e a forma como são hoje conhecidos só apareceria no final dos anos 70.  Piemonte é uma região com longa história de vinicultura. O flanco noroeste dos Alpes, para além da cadeia montanhosa dos Apeninos, dita condições climáticas que favorecem a vinicultura de toda região, principalmente na províncias de Cuneo, Asti, Alessandria, Langhe e Monferrato. 

 

Não se sabe se foram os gregos ou etruscos que introduziram a vinicultura na região, mas sabe-se que após a queda do Império Romano, Piemonte tornou-se área de passagem de poderes rivais e de instabilidade econômica. Durante este período, foram principalmente os monges que se ocupavam da vinicultura. 

 

O sucesso de Piemonte como região produtora de vinhos, deve-se ao Barollo. Inicialmente conhecido apenas por um seleto grupo de fiéis seguidores, a sua versão mais moderna e acessível, juntamente com os Super-toscanos, tornou-se o símbolo do renascimento da qualidade na vinicultura italiana. Outros vinhos assumiram também seu encanto, revitalizado no seu despertar, sendo o primeiro o Barbera, cujas vinhas ocupam metade das vinhas da área. Outros, esquecidos, passaram a atingir outros níveis de qualidade e acesso a novos mercados graças a essa revitalização. 

No caso do Barollo e Barbaresco, bem como Barbera, entre 1999 e 2000 a alta procura pelos mesmos conduziu a um aumento excessivo dos preços. 

 

A casta Nebbiolo pode ser a força motriz por trás do prestigio de Piemonte, mas os locais sempre consumiram vinhos da casta Barbera.  Cerca de metade das vinhas da região são cultivadas com esse tipo de uva. Durante décadas eram os maiores volumes de produção e eram de longe, os piores vinhos. 

 

A Barbera é provavelmente conhecida em Monferrato desde o século XIII, mas sua marcha vitoriosa sobre as vinhas de Piemonte só tiveram lugar depois do desastre da filoxera, uma praga que dizimou as plantações de praticamente todas as uvas. A Barbera provou capaz de suportar a praga e deu vindimas abundantes em quase todos os tipos de solo, numa época em que a qualidade era negligenciada, devido a crise dos produtores. 

 

Em meados de 1980 a Barbera se viu no centro daquilo que se chamou o escândalo do metanol. Produtores criminosos haviam misturado metanol nos vinhos, procurando “refina-lo”, matando mais de 20 pessoas.

Em uma altura em que a reputação da Barbera não podia piora mais, um grupo de produtores, inovadores e visionários de qualidade, começou a trabalhar individualmente nesta casta. O ajuste do ácido e envelhecimento em pipas foi a formula mágica que transformou estas uvas robustas e ácidas em vinhos condimentados, complexos  e de vida longa. O elegante Bricco dell”Uccellone , de Bolonha, foi o primeiro a ser produzido desta forma. 

 

Na área circundante de Alba, onde os produtores estavam a modernizar o Barollo, os produtores começaram também a faz experiências com a Barbera, que já existiam há gerações nas plantações. A ação do terroir, combinado com a experiencia ganha e técnicas de adega, só poderia ter resultados positivos e o Barbera d’Alba se torna o primeiro vinho D.O.C dos tintos encorpados internacionais. 

 

Desde 1990 estes vinhos têm sido produzidos magnificamente frutados e tânicos, sendo que os melhores possuem estrutura solida para envelhecer durante anos.  

Os Barbera são vinhos para serem tomados no dia a dia, perfeitos para serem apreciados resfriados, em um dia quente de verão, com os amigos, no jardim ou em um churrasco. É conhecido na Itália como o vinho do povo, pois representa a maior parte do que é consumido na vida diária dos habitantes de Piemonte. Seus vinhos apresentam grande quantidade de estilos, desde tintos intensos até uma versão espumante chamada Verberesco. 

 

Hoje predominam três zonas com os melhores vinhos; Asti , Alba e Monferrato. Os da região de Alba são bem estruturados, com boa base madura e robusta. São vinhos para serem guardados, de três a quatro anos, sem pressa de consumi-los. 

Tendo cada um seu caráter e diversidade, de acordo com local de origem, os vinhos Barbera tem textura carnuda e sabores de fruta madura e uma acidez que lhes confere um frescor especial. 

Seus aromas são frutados, com flores e alcaçuz. Tem boa persistência na boca e acidez vibrante com taninos doces. 

Versátil, combina muito bem com a maioria dos pratos italianos e com a cozinha mediterrânea. 

 

Algumas recomendações de produtores:

•    Braida di Giacomo 

•    Pio Cesare

•    Aido Conterno

•    Vietti

•    San Martino  Alfieri 

•    Bava 



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